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A(s) Grande(s) Lição(ões) da Pandemia


Em matéria publicada no portal Educare.pt Nuno Crato, escritor e professor português, diz que “A grande lição da pandemia é esta: nada substitui o ensino presencial”. Mas, será mesmo? Afirmar que "nada substitui" o presencial pode reforçar a ideia de que o ensino remoto é sempre inferior ao presencial ou ainda que não seja possível termos boa qualidade em propostas de ensino a distância. O antagonismo entre ensino presencial e remoto aparece como falso problema. Para além da realidade educacional Portuguesa, é possível trazer a questão para o nosso território: que lições o ensino remoto produz no Brasil, na minha instituição, na minha aula? Algumas questões repercutem com maior intensidade e me fazem pensar sobre  a educação no cenário atual.

Desde março/2020 que atividades presenciais foram substituídas por aulas virtuais em grande parte da rede de ensino pública e privada. Neste momento, gestores e professores já mobilizam forças para viabilizar o retorno gradativo das atividades interrompidas pela pandemia. Nas universidades Brasileiras esse retorno deve acontecer apenas em 2021.

Se estamos incomodados pelas limitações do ensino remoto (ou com seu baixo aproveitamento), talvez o problema não esteja relacionado somente ao modelo em si. Mas também pelo despreparo com a troca súbita de sistema, por despossuirmos de estrutura  mínima necessária ao pleno desenvolvimento desta modalidade de ensino mediado pelas tecnologias. Com isso, reúno e compartilho aqui alguns aprendizados  - assim mesmo, no plural. Lições que o ensino remoto trouxe ao meu trabalho: 

Lição 1: espaço para estudar.

Para estudar é fundamental um ambiente de estudo. Com o fechamento das instituições esse espaço precisou ser providenciada (obrigatoriamente) dentro das casas. Muitos professores e alunos tem dificuldade em viabilizar um ambiente de estudo nas suas residências. Antes da pandemia as bibliotecas e salas de leitura da universidade ofereciam o básico necessário para momentos de estudo: mesa, cadeira e ambiente de quietude para leitura e pesquisa. Será que existe um espaço para estudo na casa do seu aluno?

Lição 2: organize-se ou será engolido pelo caos.

Faltam dez minutos para o início da aula. Onde está o fone de ouvido mesmo? Onde salvei as anotações da aula passada? Qual pasta? E as partituras do encontro de hoje... onde foram parar? Ixi! Esqueci de imprimir.
Minha experiência até o momento aponta que  a aula pela internet requer maior planejamento que as aulas presenciais. 

Lição 3: a tecnologia é fundamental para que as coisas aconteçam.

Computador e internet banda larga não é dispensável ou secundário. Ao contrário, tornou-se fundamental para realizar os encontros online, preparar os conteúdos, gravar vídeos-aulas, áudio, imagens, fazer buscas, acessar AVA. Especialmente os professores de música precisam de equipamentos como placa de som e microfone para gravar e produzir material a ser disponibilizado remotamente. 

Lição 3 (parte II): conhecimento de software.

Desde março de 2020 que dedico parte da rotina de trabalho para gravação e edição de vídeos para as aulas. Consequentemente foi necessário ampliar o conhecimento sobre softwares de gravação e edição de áudio, imagens e vídeos. Já contabilizei muitas horas assistindo tutoriais sobre Shotcut e Reaper no Youtube.

Meu entendimento é de que o ensino remoto tem uma dinâmica própria de funcionamento e precisa ser acompanhado de certa estrutura. Estamos utilizando precariamente (e provisoriamente) esta modalidade em cursos que são concebidos para funcionar de maneira presencial. Não é possível comparar presencial e remoto em situações tão diferentes. 

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